As raízes da arte, o que consideramos clássico, são as estruturas que conferem sustentação e diferenciação às artes. Que, erroneamente talvez, alguns as consideram boas ou ruins.
Identificar o clássico é tentar reconhecer o que deu origem ao que consideramos valoroso.
Na música não é diferente, se observarmos o que se tem por clássico nos mais variados estilos musicais descobriremos um mundo onde tudo parece pensado previamente.
Onde, conscientes ou não, os autores prepararam tudo para que hoje exista esta grande diversidade musical que deixa tão rica a cultura.
Feliz é aquele que sabe reconhecer o que é bom neste mundo clássico tão variado.
Se fizermos uma breve reflexão sobre os clássicos dos estilos musicais mais populares, descobriremos que tudo o que temos é bom. Este "pensar no passado", observar de onde surgiram os estilos musicais, nos remete ao sentimento de valorização, de agradecimento até, aos pioneiros da cultura. Àqueles que viabilizaram toda a riqueza da qual desfrutamos hoje.
É claro que nem tudo é como parece.
Um fenômeno interessante que, ao meu ver, é bem característico da música, é o de "filho sem pai". Alguns estilos musicais simplesmente existem, não consigo identificar neles suas raízes. E, se elas existem, foram tão brutalmente distorcidas que não são mais observáveis. Me parece que são baseados em outras formas, que também são baseadas em outras e assim por diante, o que gera um monstro musical. Um emaranhado de junções muitas vezes sem sentido, que não acrescenta em nada para a cultura como um todo. Não é difícil localizar este tipo de acontecimento, talvez se ligarmos o rádio agora, nos depararemos com um exemplar.
Não quero taxar este ou aquele movimento ou grupo, mas quem tem olhos que veja ..... ou no nosso caso, ouvidos.
E o pior é que observo uma avalanche de incentivos mercadológicos à estas aberrações que invariavelmente atingirão todos. Não que as empresas por trás estejam erradas, empresas visam o lucro e fazem o que tem que ser feito para alcançá-lo, porém quem compra deve se conscientizar de que aquilo que compra (ou baixa da net) não está contribuindo em nada para seu crescimento cultural, intelectual, sentimental ou seja lá o que for e ainda está tomando o lugar de um trabalho bem feito e ligado às raízes musicais. Trabalhos que ficam na maioria das vezes subjulgados e esquecidos por não fazer parte deste novo sem começo.
Bom, pensando bem, talvez é isto mesmo que deve acontecer... uma alienação geral e controlada. Direcionada para o vazio, onde o que um dia representou alguma coisa não mais faz sentido e o supérfluo e o "estranho novo" são as raízes de um novo clássico, surgindo para o nada...
Afinal, para que precisamos dos clássicos, velhos, o mundo é jovem e tem sede de comprar conquistar o novo!
E viva a ignorância!