sábado, 24 de outubro de 2009

o Clássico

As raízes da arte, o que consideramos clássico, são as estruturas que conferem sustentação e diferenciação às artes. Que, erroneamente talvez, alguns as consideram boas ou ruins.
Identificar o clássico é tentar reconhecer o que deu origem ao que consideramos valoroso.
Na música não é diferente, se observarmos o que se tem por clássico nos mais variados estilos musicais descobriremos um mundo onde tudo parece pensado previamente.
Onde, conscientes ou não, os autores prepararam tudo para que hoje exista esta grande diversidade musical que deixa tão rica a cultura.
Feliz é aquele que sabe reconhecer o que é bom neste mundo clássico tão variado.
Se fizermos uma breve reflexão sobre os clássicos dos estilos musicais mais populares, descobriremos que tudo o que temos é bom. Este "pensar no passado", observar de onde surgiram os estilos musicais, nos remete ao sentimento de valorização, de agradecimento até, aos pioneiros da cultura. Àqueles que viabilizaram toda a riqueza da qual desfrutamos hoje.
É claro que nem tudo é como parece.
Um fenômeno interessante que, ao meu ver, é bem característico da música, é o de "filho sem pai". Alguns estilos musicais simplesmente existem, não consigo identificar neles suas raízes. E, se elas existem, foram tão brutalmente distorcidas que não são mais observáveis. Me parece que são baseados em outras formas, que também são baseadas em outras e assim por diante, o que gera um monstro musical. Um emaranhado de junções muitas vezes sem sentido, que não acrescenta em nada para a cultura como um todo. Não é difícil localizar este tipo de acontecimento, talvez se ligarmos o rádio agora, nos depararemos com um exemplar.
Não quero taxar este ou aquele movimento ou grupo, mas quem tem olhos que veja ..... ou no nosso caso, ouvidos.
E o pior é que observo uma avalanche de incentivos mercadológicos à estas aberrações que invariavelmente atingirão todos. Não que as empresas por trás estejam erradas, empresas visam o lucro e fazem o que tem que ser feito para alcançá-lo, porém quem compra deve se conscientizar de que aquilo que compra (ou baixa da net) não está contribuindo em nada para seu crescimento cultural, intelectual, sentimental ou seja lá o que for e ainda está tomando o lugar de um trabalho bem feito e ligado às raízes musicais. Trabalhos que ficam na maioria das vezes subjulgados e esquecidos por não fazer parte deste novo sem começo.
Bom, pensando bem, talvez é isto mesmo que deve acontecer... uma alienação geral e controlada. Direcionada para o vazio, onde o que um dia representou alguma coisa não mais faz sentido e o supérfluo e o "estranho novo" são as raízes de um novo clássico, surgindo para o nada...
Afinal, para que precisamos dos clássicos, velhos, o mundo é jovem e tem sede de comprar conquistar o novo!
E viva a ignorância!

sábado, 26 de setembro de 2009

Mudanças

As vezes mudanças são inevitáveis, e todos nós, talvez por instinto, temos muito medo das mudanças.
Mudar significa que não teremos mais as condições atuais de fazer o que estamos acostumados. Isso não quer dizer que não vamos mais fazer o que fazemos, mas sim que novas ferramentas deverão ser usadas para realizar funções que antes dependiam de outras.
A busca de compreensão ou de simples expressão de sentimentos através da arte demonstra bem isso.
Quando um artista cria algo, e nem sempre é algo satisfatório, ele busca se trasnformar e transformar seu ambiente.
A grande diferença entre fazer algo realmente construtivo e algo banal é a capacidade de o que é criado mudar alguma coisa.
Esta mudança não necessariamente se refere ao plano físico, pode ser apenas uma mudança rápida do estado de espírito aquele que recebe. Mas ela deve existir.
As mudanças também nos ensinam que nem sempre o que temos a oferecer é o melhor para as pessoas, cada pessoa percebe de uma forma a arte que chega até ela, assim uma análise bem feita e rígida do que se está fazendo vai garantir que o que oferecemos vai ser algo de qualidade.
Como a arte é percebida na forma de sentimentos, e sentimentos são extremamente pessoais e mutáveis, as vezes o que um artista oferece pode não agradar, mas isso não quer dizer que seja de qualidade ruim.
Na música percebemos bem como estas mudanças ocorrem, infelizmente tornou-se comum música feita para mercado, para vender, sem que se olhe a qualidade do que está sendo produzido. E o que é pior, divulgação e até premiações para estas produções pobres e sem sentido, que não visam outra coisa senão o lucro.
Música é sentimento, tem que ser viva e, principalmente, tem que ter qualidade... só assim ela vai propiciar as mudanças a que é destinada.

sábado, 15 de agosto de 2009

Sutileza e Agressividade...

Quem um dia nunca se deparou com algo que, de um determinado ponto de vista, causa desconforto ou desagrado?
Engraçado, mas este tipo de sensação pode ser causada por vários tipos de arte, de forma muito mais simples e comum que imaginamos. Digo isto porque encontramos manifestações artísticas que nos proporcionam sentimentos muitas vezes estranhos e inusitados. Nem sempre percebemos, mas todos os dias entramos em contato com sons, imagens, cheiros e demais sensações que nos influenciam de alguma forma e não nos damos conta do impacto que isto nos causa.
Cada pessoa lança mão de alguma forma de arte para manifestar, mesmo que para si próprio, algum sentimento que diz algo.
É maravilhoso saber que temos este poder... o de canalizar sentimentos utilizando um recurso tão divino quanto humano. Recurso este que nos é tão próximo e que deve ser muito valorizado e, principalmente, respeitado.
Para quem as recebe, as manifestações artísticas devem ser observadas sempre com reverência.
Para quem as molda, devem ser tratadas de modo a manter sua essência natural... seu estado de verdade.
A arte não nos vem pronta, deve ser lapidada, mas não o bastante a ponto de distorcê-la, visto que tem vida própria.
Como é instrumento, será utilizada para se alcançar um fim, não é ela o próprio fim.... e nem o começo, pois necessita sempre de uma motivação válida para que se mostre.
Tudo pode ser arte, mas nem tudo deve ser... não é difícil encontrá-la, difícil é entendê-la e manter-se nela.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Influências Musicais

Outro dia em uma comunidade do orkut, rolava uma discussão sobre as influências em fazer musicas nacionais. Um membro dizia que hoje em dia não se faz mais música tipicamente brasileira, que nós todos estamos voltados para as músicas "gringas".
É verdade que hoje em dia estamos extremamente influenciados por músicas estrangeiras, mas na minha opinião, música não deve ser considerada estrangeira ou nacional, aliás, o que é uma musica nacional? Talvez que seja contada em português... e o que falar de bandas nacionais que fazem musica em inglês? Outro ponto.. até onde a música é estrangeira? Não é comum, mas existem bandas que não são do Brasil e fazem música em português.. então esta é uma discussão difícil... Eu considero a música de uma forma mais ampla... em caráter global mesmo.. não me preocupo se é proveniente do país X ou Y... se for boa é o que importa..... Um outro exemplo, as bandas de rock dos anos 80, que são citadas como a as melhores que o país já teve em qualquer época, faziam letras em português, mas as músicas eram tipicamente brasileiras? Não.. eram a cara das bandas americanas dos anos 60/70.. então volta minha pergunta... o que é música nacional?
Se considerarmos a música em um contexto mais amplo perceberemos que ela está diretamente ligada ao modo como a sociedade se interage atualmente, não existem mais fronteiras, logo, não existem mais critérios específicos para se fazer música nacional ou estrangeira.
O que ouvir e o que considerar de cada tipo ou gênero musical é uma escolha pessoal e deve ser respeitada, desde que coerente é claro.
Só lembrando que música é arte e como é manifestação, demonstra ao exterior (do corpo) como somos e o que sentimos interiormente.

Segue o som!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Como trato a arte?

Esses dias um amigo da faculdade me mostrou um vídeo muito interessante de uma apresentação que um cara fazia à uma banca de final de curso, acho que de mestrado. Ao contrário do que muitos de nós estamos acostumados, o aluno que ali se apresentava trajava jeans e camiseta e falava como se estivesse conversando com colegas sobre o tema de sua apresentação, de uma forma teatral. Nós achamos aquilo muito bom, e resolvemos aplicar alguns métodos durante nossas apresentações, mas antes perguntamos a um professor o que ele achava e ele me disse que em um curso de graduação devemos fazer apresentações sempre de forma séria e que naquele caso era descontraído demais. Aí eu pergunto: Até onde a descontração é sinal de que o assunto não está sendo tratado de forma séria?
A forma como a sociedade aborda manifestações artísticas remete de certa forma à uma regra velada de que devemos utilizá-las apenas para o entretenimento, o que no meu ponto de vista não é correto, uma vez que a arte se faz presente sempre em nossas vidas de forma completa e essencial e não raras as vezes ela se mostra como forma de comunicação de idéias e ideais, pensamentos e sentimentos, próprios ou coletivos.
E por falar em entretenimento, eu estava conversando com um músico conhecido aqui da cidade e ele me dizia exatamente isto, em um tom meio que de conselho, que música é entretenimento, deve ser feita para distração, nós estávamos falando sobre as músicas que a minha banda toca, que não são lá muito das populares. Eu disse a ele que nem sempre música é entretenimento, deve sim ser feita para distração e agrado, enquanto arte, mas nunca deve abandonar seu caráter de manifestação artística e, assim sendo, deve se propor a algo maior que apenas entreter.
Acho que isso vale para todas as formas de arte. Em qualquer tempo, tema e lugar.

E segue o som!

Começando!!

Bem vindos ao Blog Olhando Música!
Aqui serão tratados assuntos diversos relacionados às diversas formas de arte... como sou músico, vou puxar um pouco de sardinha para a arte da qual estou mais envolvido, mas não só de música será este blog !
Toda nossa vida é, e deve permanecer, envolta em arte... é o que nos trás satisfação e abre possibilidades de vivermos em harmonia com o todo.
Bom, falando um pouco de mim, sou músico amador, tenho uma banda, onde toco bateria. Também componho as letras de nossas músicas próprias, que não são muitas, mas estamos começando uma produção mais ampla. Tenho também um canal no VideoLog, onde posto de vez enquando alguns covers de bateria.

Bom, é isso... estamos apresentados!

Espero conseguir escrever aqui coisas interessantes e, depois, que alguém as leia.....

Abr
Daniel